Giorgio Agamben, ao analisar os conceitos de Bios, Zoé, vida nua e biopolítica, nos sugere uma homogeinização da forma de vida destituída de política como mecanismo de controle e do controle proveniente da política propriamente dita, que por vezes justifica a falta de liberdade em nome do "bem-estar", da felicidade e da liberdade dos demais.
Temos aqui o encontro de duas categorias, que, então, dão origem a um novo conceito que está cada vez mais fincado nas estruturas da sociedade atual; trata-se do pensamento político duplo categorial Zoé-Bios. Ressaltamos a ideia de uma vida diretamente interligada com a política, e, consequentemente, a submissão às vontades e aos decretos do soberano, também estudada e proposta por Carl Schmit, por meio da relação amigo-inimigo, que passam a ser antônimos apenas na gramática.
Para tanto, Agamben nos mostra o quão próxima da atualidade se posiciona tal ideia, utilizando, além de embasamento histórico, exemplos contemporâneos. Por exemplo, livre de formas de preconceito, principalmente o antissemitismo, mas tendo em mente a sociedade na esfera política: Temos um estado radicalmente biopolítico no regime totalitário dos nazistas, onde verifica-se a destituição do direito natural da vida em nome da defasada tarefa política de buscar a hereditariedade biológica.
Podemos transpor tal cenário para fatos ocorridos recentemente: O assassinato do "terrorista" Bin Laden pelo governo americano, em nome da justiça aos atentados ocorridos em setembro de 2001, levando em consideração que a vítima não teve liberdade sobre a própria vida, nem o direito legitimo ao julgamento prévio. A Zoé e a supremacia norte-americana se sobrepuseram ao direito natural da vida (em nome da suposta felicidade coletiva).
É difícil delimitarmos barreiras entre o coletivo e o individual, e, talvez, seja mais difícil ainda identificarmos mecanismos de controle sutilmente colocados no cotidiano social, em nome da segurança e do bem estar de todos. A Declaração do Imposto de Renda e a Nota Fiscal Paulista, por exemplo, surgem como barreiras impostas pelo estado à liberdade individual, ferramentas que legitimam o controle do estado sobre os gastos individuais e auxiliam a certificação do cumprimento dos deveres cívicos, ainda que apresentados como vantajosos aos olhos da sociedade.
Em suma, tal análise pode se estender de forma demasiadamente longa se dispostos a estudar cada partícula social. É essencial termos em mente a normatização verificada na prática da Bios e da Zoé como um conceito só, isto é, quando perdemos a liberdade, um direito natural, diante de um suposto sentimento de coletividade.
O texto está bom. Ao passo que no começo achei razoavelmente confuso, os conceito acerca das teorias de Agamben estão bem explicitados. De fato é um pensador complexo, mas vocês souberam expressar bem seus pensamentos. Ao final, o exemplo na nota fiscal paulista foi interessante, pois é capaz de ilustrar claramente as formas de domínio exercidas pelo estado diante da sociedade e a perda de liberdade diária a que estamos submetidos.
ResponderExcluirBom texto.
ANDREZA SPINELLI BALLAM - RA00097862