Para Hobbes, a liberdade é a ausência de oposição; tem-se oposição quando, no estado de natureza, os homens possuem o direito natural (que pressupõe a liberdade irrestritiva de proteger a própria vida – liberdade que não inibe a existência de oposição); a conseqüência é a competição e a sucedente estado de guerra perpétua de todos. Ao renunciar ao seu direito natural e assumir todos os atos do Estado como os próprios, o homem se submete à servidão voluntária e ganha uma vida pacífica, sem oposição, ou seja, a liberdade. Portanto, como pudemos ver, de acordo com Hobbes, não só a servidão voluntária é fundamental para os homens viverem juntos e em paz, mas essa convivência pacífica é a condição de liberdade na existência do homem.
É claro que entre a concepção política de Hobbes e a concepção política generalizada de hoje, há uma grande distância. Esse espaço deve-se ao fato de que nós, nos dias de hoje (de novo, generalizando), não temos a mesma concepção de liberdade; para nós, a liberdade poderia ser definida por uma vida segura e pacífica – mas a partir do momento que o preço a pagar por isso é renunciar a vontade-própria, nos é inconcebível que tal situação pudesse contar como uma condição de liberdade.
Portanto, a servidão voluntária pode ser uma ferramenta útil para se criar uma sociedade pacífica quando se considera a liberdade apenas a ausência de oposição, como Hobbes a considera. Mas não é o caso da nossa sociedade de hoje; com a nossa concepção de liberdade, a de seguir a vontade-própria (dentre a lei), a servidão voluntária não só seria inútil, mas altamente anti-ética, destrutiva, e retrógrada. O que nós necessitaríamos para conseguirmos viver em conjunto com segurança e paz, não que este texto tenha a pretensão de alegar conter essa resposta, seria algo tendencioso ao inverso da servidão voluntária, alguma medida que tivesse como fim, por exemplo, aprofundar o caráter democrático da sociedade, intensificando cada vez mais o poder político individual.
É claro que entre a concepção política de Hobbes e a concepção política generalizada de hoje, há uma grande distância. Esse espaço deve-se ao fato de que nós, nos dias de hoje (de novo, generalizando), não temos a mesma concepção de liberdade; para nós, a liberdade poderia ser definida por uma vida segura e pacífica – mas a partir do momento que o preço a pagar por isso é renunciar a vontade-própria, nos é inconcebível que tal situação pudesse contar como uma condição de liberdade.
Portanto, a servidão voluntária pode ser uma ferramenta útil para se criar uma sociedade pacífica quando se considera a liberdade apenas a ausência de oposição, como Hobbes a considera. Mas não é o caso da nossa sociedade de hoje; com a nossa concepção de liberdade, a de seguir a vontade-própria (dentre a lei), a servidão voluntária não só seria inútil, mas altamente anti-ética, destrutiva, e retrógrada. O que nós necessitaríamos para conseguirmos viver em conjunto com segurança e paz, não que este texto tenha a pretensão de alegar conter essa resposta, seria algo tendencioso ao inverso da servidão voluntária, alguma medida que tivesse como fim, por exemplo, aprofundar o caráter democrático da sociedade, intensificando cada vez mais o poder político individual.
Pessoal da Lucrécia Capixaba,
ResponderExcluirGostei do texto de vocês, a todo momento ele questiona as vantagens e as desvantagens da Servidão Voluntária, além de discutir a forma como este tema aparece na atualidade.
O texto está bastante sucinto, acredito que vocês pudessem ter desenvolvido de forma mais objetiva e clara as idéias de Hobbes, e, como consequência, a forma como ele visualiza a servidão voluntária.
Faltou explicar o estado de guerra hobbesiano que gerou a necessidade de instituir um Estado que controle e garanta a paz e a segurança comuns.
Para Hobbes, quando o homem esta impedido de fazer algo que deseja (para manter todos em respeito), não é porque lhe falta liberdade, e sim porque lhe falta o poder de intervir na estrutura, na constituição que o cerca.
Leonardo Romano
RA00097447
Para Hobbes, a principal função do Estado é a manutenção da propriedade privada. Os indivíduos servem aos interesses da classe que detém a propriedade privada porque acreditam que estão exercendo sua liberdade e o fazem por opção, já que que "compram" a ideia de que através de muito trabalho duro é possível enriquecer, deixar de ser explorado e passar a explorar os demais. Não estão preocupados em resolver os problema de uma sociedade injusta porque isso acabaria com o objetivo de um dia se privilegiar desta injustiça.
ResponderExcluirDenise Pádua