José Sarney, nascido no Maranhão, formou-se em Direito mas desde cedo envolveu-se com a política, ao ingressar no PSB com 24 anos. Posteriormente, filiou-se à UDN e ARENA e foi vice-presidente de Tancredo Neves, que faleceu antes de tomar posse. Sendo assim, José Sarney tornou-se o 31° presidente do Brasil, logo após o fim do período da ditadura militar. Apesar de se dizer contra o regime, Sarney estabeleceu várias ligações com os militares. Seu governo, como presidente, foi marcado por medidas redemocratizadoras, como o plano cruzado, que, apesar de eficaz no início, acabou por fazer a inflação atingir 86% ao mês. Eleito quatro vezes para presidente do senado, José Sarney permanece no cargo há quase 16 anos, gerando diversas críticas em âmbito nacional e internacional e sendo acusado de nepotismo e de chefiar oligarquias em seu estado natal, o Maranhão.
No livro O Príncipe, Maquiavel relata que uma das principais características de um Príncipe ou, contextualizando, de um líder, é tentar sempre se manter no poder. Ele deve ser virtuoso, manipulando a fortuna, que Maquiavel descreve como sendo as circunstâncias que surgem na vida de um homem, a seu favor, mesmo que o modo com que isso se dê seja antiético ou imoral. O conceito de que “os fins justificam os meios”, defendido por Maquiavel, legitima qualquer tipo de postura em prol da figura do príncipe e da manutenção de seu poder. Maquiavel afirma, ainda, que o príncipe deve evitar ser odiado por seus súditos, o que talvez tenha sido uma das principais falhas de Sarney, já que em 2009 o movimento Fora Sarney tomou as ruas e as páginas da internet. Mas Sarney, um homem instruído, membro da Academia Brasileira de Letras, parece ser realmente virtuoso. No começo de fevereiro desse ano, tomou posso, pela quarta e, segundo ele, ultima vez, da Presidência do Senado Federal.
Em seu governo, Sarney cometeu nepotismo e armações políticas. Favoreceu três familiares por “ato decreto”, escondeu da justiça uma mansão de cinco milhões de reais, além de outras "falcatruas". Também foi criticado por se manter no poder por tanto tempo, quase como um ditador. Dessa forma, José Sarney se encaixa como um dos Príncipe (e por príncipe, como já dito, entende-se governante de qualquer espécie) mais virtuosos do Brasil, já que todos os escândalos pelos quais passou, até os que mais repercutiram na grande imprensa, não foram capazes de tirá-lo do poder.
